textos

dois anos e meio

09:52

Passo dias tentando saciar a minha vontade de escrever alguma coisa, apesar de não estar sentindo nada que mereça ser escrito, procuro motivos e situações que merecem ser registradas. Caí no esquecimento de saber o que é escrever para me sentir melhor, ou pra tentar mostrar a alguém o que eu sinto. Hoje percebo a adulta que me tornei, estou ocupada demais para sofrer, ocupada demais para fazer coisas que eu não deveria, isso é exatamente o que um dia eu havia desejado.

Meio inconsciente com álcool no organismo e a cabeça latejando, tive ciência de que chegaram, alegria, medo e alívio tomaram conta de mim, aquela criança continua fazendo do meu inferno pessoal a sua maior diversão. Posso ouvir seus passos, sua fala mansa espalhava pelos cômodos do quarto, da cozinha para a escada, da escada para seu quarto temporário, do quarto temporário ao meu banheiro enquanto tomava um banho rápido pós viagem. O barulho da água caindo me trazia paz, quando percebi, já se passaram alguns longos minutos e eu preciso levantar, todos estão espalhados, mas não a vejo em lugar algum.

Beijos, abraços, portas, degraus, vozes de alegria e palavras de boas vindas, estou meio zonzo, ainda assim sei o que fazer e o que falar. No momento preciso vestir uma camiseta, mas onde estão minhas roupas? Subo a caminho do quarto temporário, ciente de quem eu poderia encontrar. Meu coração acelerado grita que a adrenalina continua causando os mesmos efeitos, e então, lá está ela. Assim que atravessei a porta, eu a vi, aparentemente já preparada para com a minha tão esperada presença. Respiro aliviado, a insegurança e medo no seu olhar me deixam mais forte. Ela está tão frágil como não me lembro que seria, mas essa impressão logo passa, ela responde aos meus comprimentos e tenta me segurar, assim que eu digo que ainda estou bêbado, me aconselha a tomar um café e continua a fazer o que estava fazendo antes de eu chegar alí. Permaneço parado ao seu lado, de lado, fingindo vestir a camiseta, ela reage "barriguinha de chopp?", mas não estou aqui pra falar sobre minha barriga.

Seguro seu rosto com as mãos, preciso por força porque ela é escorregadia. Aquele olhar de medo e insegurança voltam pra mim, ela não quer gritar, e eu só quero um beijo. Fecho meus olhos mas ela não, de um lado pro outro, finalmente consegui encostar meus lábios nos seus, mas ela me empurra. Danada. O que estou fazendo? Então convenço ela a me dar um abraço, apenas um abraço, afinal, a trinta segundos atrás estávamos sem graça um olhando pro outro, com um filme correndo na mente de cada um sobre o inferno que fizemos um com o outro por nos gostarmos tanto, desde o primeiro toque. Uma mistura única de sentimentos bons, puros e intensos. O abraço dura alguns segundos a mais, percebo isso ao sentir ela me empurrando mais um vez, tentando esconder seu pescoço recém lavado e perfumado dos meus beijos. Ela grita em silêncio - não toca em mim - e de repente, eu não estou mais alí. Saio correndo, deixando minha criança sentada com coração acelerado e muita raiva de mim, na cama onde ela costumava deitar pra poder estar sob o mesmo teto que eu. Algumas coisas nunca mudam.

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2 comentários

  1. Que texto <3 Também ando no ócio produtivo, sabe eu voltei pro meu blog, mas toda vez que começo a escrever desisto, então lá então umas postagens daquelas pra preencher buraco, adorei como você descreveu os seus personagens e acho que você deveria fazer umas versão pra ela oq ela achou da situação, ou ela estava ali só pra imaginação de bêbado dele?

    https://a-cacheada.blogspot.com.br/

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    1. Escrever é muito bom pra mim, fico muito feliz quando faço isso. Gostei do seu ponto de vista de imaginar que essa história poderia ter ocorrido apenas na mente dele, me deu vontade de escrever do ponto de vista dela também. Obrigada!

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