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O que eu faria antes de você

12:04


Seis e meia da manhã, como de praxe deu vontade de ir ao banheiro, ao me olhar no espelho lembrei-me que estou há 3 dias com o cabelo assim, e que não deveria. Desfaço as tranças o mais rápido que consigo, meio acordada, meio dormindo, volto à cama e a insaciável vontade de se ver livres das dezenas de trancinhas no meu cabelo tomava conta de mim, mas não tanto quanto o meu sono. Nesse instante percebi como sou grande, dois sentimentos tão intensos que tomaram conta de uma mulher de 1,63 de altura e 61 kg, eu não conseguia me livrar de nenhum deles.

Sete e quinze, minha mãe me acordou, no meu celular tem mensagens suas acusando sono… Finalmente a internet voltou. Continuo a desfazer as tranças ainda deitada, levanto-me, visto-me enquanto escovo os dentes paralelamente, ignorando o coração apertado, ocupo-me, então acabo me rendendo a dor. O tempo para, sento em minha cama com a sua garrafinha de água na mão, desfruto do sentimento que é a angustia de te perder, dou grandes goles de água na tentativa de desfazer o nó na garganta, e de repente senti água nos meus olhos. Meu coração está forte, ele bate e balança a minha blusa, inconsciente do que devo fazer em relação a isso, volto às minhas obrigações. Me manter ocupada me manteve afastada de certas tristezas, mas hoje eu queria estar em casa, à toa, enchendo seu whatsapp de mensagens sobre como eu gosto e quero você.

Infelizmente minhas vontades não serão saciadas no dia de hoje, já no meu trabalho abraço o seu perfume que você deixou comigo, sinto o cheiro, e então estamos na faculdade, era abril ou maio, afundei minha cabeça no seu pescoço e me perdi no seu cheiro. Se eu materializar tal prazer ao estar viva para sentir esse cheiro nessa pessoa, provavelmente seria você, do jeitinho que é, com ou sem perfume. Guardo seu perfume na segunda gaveta, aquela que só se abre com um pequeno esforço a mais. Junto o frasco com algumas coisas de grande valor pra mim no momento: meu salário, algumas cartas que te escrevi, as flores que você me deu e agora, o frasco do seu perfume. A saudade que eu sinto está cada vez maior, me vejo aborrecida, novamente espantada por uma pessoa sentir tanto, tão forte. Gostaria de ser mais habilidosa, ter o aprendizado mais fácil, ter mais disposição para fazer coisas que não me acrescentam em nada, como fazer amigos e cultivar os antigos, mas não… a minha habilidade principal é sentir, e no momento o que eu sinto é exatamente o que você me ensinou a ignorar.

Gradativamente, não tive olhos para ver isso, ao olhar para trás e me ver do jeito que estou, não consigo voltar a fazer o que normalmente eu faria antes de você. Sem músicas tristes, aquela playlist cujo título é “músicas para meu momento atual”, que costumava ser o momento de sempre, não é usada há tempos. Você me faz querer espantar qualquer sentimento ruim, ao invés de alimentá-lo e fazê-lo meu melhor amigo. Sentimentos ruins para você é como cerveja quente, não serve pra nada, só pra te deixar mal. Convenhamos, não quero voltar a ser como eu era. Talvez esse seja o presente mais valioso que você poderia ter me dado, algo que eu vou me esforçar para (dessa vez) eu não perder.

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