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Músicas tristes sempre serão as minhas preferidas

18:07

Engenheiros do Hawaii está tocando no fundo enquanto eu passo de um cômodo para o outro procurando confortabilidade. Estou em casa, isso é certo, porém não me sinto lar. A música é linda, acompanhada por um vocalista de cabelo liso, estilo largado, all star, no vídeo aparentava ter uns 30 anos. Sua imagem continua guardada em minha cabeça, eu estou apaixonada pelo vocalista. A audição faz jus a imaginação… uma voz tão gostosa dizendo coisas que hoje não ouvimos mais. Que música! Que letra. Entendo a importância de vivermos o presente, mas estou presa no passado. Sou feita, sou fã, é muito difícil pra mim não olhar pra trás.

Estive pensando nos últimos quatro dias… não disse em que ou em quem. Estive pensando, pensando, pensando… Os pensamentos acordavam comigo pela manhã e acariciavam meu cabelo até eu cair no sono, mas não se demoravam a me acordar no meio da noite, fingindo vontade de ir ao banheiro, fingindo fome, sede, saudade. Eu os alimentava, tentava saciá-los, mas meus pensamentos me tiram o sono. Me via com insônia, me via em meio a risadinhas e apertos no peito a recordação de que essa insônia é aquela mesma que nos fazia companhia nas madrugadas de dois anos atrás. Há quatro dias eu ouvi uma música que me trouxe tais lembranças, e cada ação minha, ou cada ação do universo, faz com que meus pensamentos, antes abandonados, esquecidos, sintam-se livres para voltar como essas músicas antigas que a gente tanto conhece.

As coisas finalmente conseguiram estar do jeito que eu gostaria. Por muito tempo estive me treinando para não ter dificuldades em me afastar de coisas que são importantes pra mim como algum sonho de infância, um perfume com brilho que ganhei no meu aniversário de 15 anos, pessoas que me proporcionaram alegrias únicas, e mais pra frente, não me permitir ter nada que faça com que eu me sinta vulnerável, fazendo planos secretos de fuga, imaginando um futuro não muito distante que me tirasse o fôlego e risadas. É, Laiali, você não está mais vulnerável, agora é tão fácil não atender o telefone, cortar contato com aquele rapaz de cabelo cacheado da faculdade que te faz se sentir à vontade com aqueles adjetivos ridiculamente fofos.

E agora que finalmente os grandes tempos chegaram, gostaria de reaprender a me entregar. Como é que eu faço pra aceitar que eu também mereço um pouquinho de felicidade? “A gente aceita o amor que acha que merece receber.” Ou de pelo menos acreditar que nem todo sentimento bom vem com a intenção de me derrubar mais pra frente.

O bom de quase nunca estar feliz, é que não faz muita falta. Sentir tristeza ou não sentir nada tem sido tão comum, que quando eu tenho algum motivo que me faça esquecer como é se sentir sozinha, eu não sei como agir. Mas as músicas tristes sempre serão as minhas preferidas.

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