30 de abril de 2016

Deveria

"Mas você vai conseguir, Lê?", repeti pra mim mesma a pergunta que minha amiga acabou de fazer. Sim, eu consigo, eu me treinei porque sabia que um dia estaria na faculdade, com assuntos importantes em mente e que essas coisas do coração não poderiam me deixar pra baixo em uma situação dessas. Então, sim, eu estou pronta pra ignorar mais uma decepção da minha vida.

Infelizmente não posso dizer que foi um treinamento bem-sucedido, mas ninguém precisa saber disso. Vamos continuar aceitando o fato de que eu sempre me dou melhor sozinha, de que eu nunca precisei de ninguém. Como aquela música que eu adoro diz: mas agora que você foi embora, fique longe (Charli XCX - Stay Away).

Se tem uma coisa que eu não gosto, é de estar na cabeça de alguém, interferindo em suas decisões, porém, acreditaria se eu dissesse que eu faço muito isso sem ter a intenção? Deve ser por isso que meus amigos na faculdade acreditam que eu tenho uma coleção de "escravocetas" espalhados por aí. Eu não sei, deve ser o meu cabelo cacheado, ou o meu jeito de falar, mas eu juro que não tenho a intenção.

E qual é a sua intenção? Qual é o tamanho da sua humilhação? Até onde vai o seu amor? Até quando você pode evitar a tomada de decisões que definirão o caminho da sua vida? Mas nada é pra sempre. Será que ela seria? Será que você se arrependeria? Esse não está sendo um segundo ano satisfatório, tem muita coisa que você deveria saber, e não sabe, muita coisa sendo deixada pra trás. O que fica pra trás, não é um bom motivo para voltar. Seria pra você?

Enquanto isso, vou procurando aprender coisas novas, crescer mentalmente, assistir seriados e colorir os desenhos do meu livro de colorir. Só não viva sua vida achando que você não faz diferença na minha, como eu deixei transparecer. As vezes eu me faço de tão fria que acabo acreditando nisso, mas você não deveria.

22 de abril de 2016

Outrossim

Coloridas acompanhando o balanço do vento, subindo e descendo sem ser precisamente nessa ordem. Pele. Nós gostamos de ações improváveis, brincadeiras inesperadas, reações sinceras. Gosto quando ele faz assim: e demonstrou pra ter certeza de que ela entenderia. Risos. Batidinha nas costas evitando o engasgo com as propárias palavras, gostaria que fosse pra sempre, mas ser boa desse jeito é desgastante.

Ele certamente não tem conhecimento de como tem estado o chão dela desde o começo do ano. Altos e baixos, na maioria das vezes, abaixo de zero, sobrevivendo ao inverno, retirando a lama debaixo das unhas do pé e o cabelo do rosto coberto por suor. "Ela é mil vezes mais bonita do que eu", repetia pra si mesma enquanto se afundava em um colchão de insegurança, adiando seu futuro para o dia em que a segurança não seja apenas algo feito de látex.

O que mudou desde então? A equabilidade é visível se olhar com atenção. Porventura, um pouco mais sábia, estudiosa e medrosa. As risadinhas da antiga cisma confirmam: ninguém muda de uma hora pra outra. Não ao apreciamento externo, sim ao ocorrer-se que muito tempo se passou desde então. Não estivemos juntos o tempo todo, pois não me segure pela nuca enquanto não te deixar encostar a minha mão.

Rolando os olhos. Dããã. Precisa confessar que me odeia tanto ao ponto de não conseguir se afastar de mim. Meu melhor amigo é também o pior inimigo. Sua vontade insaciável dava-me água na boca. Confiar em mim é tão fácil assim? Por que não confio em você desse jeito também? - Homens. - Concordamos ambas.

Enxaguando o punho, ardia a ferida, eu senti a sua dor. Eu amei te ver assim. Desperto o melhor e o pior em você. Não só em você. Até onde isso pode chegar? O gosto pelo futuro incerto tão próximo me faz alucinar sua presença próxima a minha. A respiração ofegante se perdendo na sua até tornar-se uma só... Poder achar-se em uma situação, erroneamente fazendo-se acreditar que não irá se repetir. Outrossim, bem assim, sou você inteiro em mim.

9 de abril de 2016

Hoje




Lembra do passado, quando o futuro parecia tão certo? Aqueles planos, tudo desenhado, você não precisava se preocupar. Mas o futuro chegou, todos aqueles planos ficaram pra trás, agora não há como voltar. Você se arrepende? Mudaria alguma coisa? A verdade é que o que tem que acontecer, acontece, mas nossas escolhas sempre nos levarão a caminhos diferentes. Quando um passo é dado pra frente, muita coisa fica pra trás.

Nossa essência tá não só na alma, quem me dera se pudesse ser comprada. Cada dia da nossa vida nos molda, somos o que somos pelas escolhas que fizemos e as consequências disso nos prova se somos de fato pessoas boas ou ruins. E se fossemos ruins? Há algo que se possa fazer para mudar? Mas tem uma coisa que não dá pra discordar: se tornar ruim é como escorregar de um escorregador, depois disso, se você tentar subir pelo mesmo lugar que desceu, não será tão fácil assim. 

Se tornar bom, por outro lado, sempre é o caminho mais difícil. Se tornar uma pessoa melhor do que ontem pode exigir paciência e desapego a manias, mas mais pra frente... Deus do céu, é tão bom olhar pra trás e se dar conta de tudo que deixou de fazer, mesmo sabendo que seria divertido, pelo simples fato de que, afinal de contas, nada que não seja feito com amor não vale a pena. E se o amor não existir? Nós podemos construir. Podemos fazer amigos, criar laços, ser irmãos, filhos, primos... Nós podemos ser qualquer coisa: qualquer coisa que valha a pena.