textos

Relatos de uma universitária intermunicipal

08:58

Ontem eu fui conversar com a psicologa da faculdade e ela me recomendou uma terapia clinica. Não fiquei surpresa. Fiquei aliviada que alguém tenha me dito o que eu queria ouvir. Afinal de contas, isso me fez perceber que eu não estou errada, o que é errado é eu tentar passar por cima de todo problema que acontece na minha vida, ignorar, superar... mas no final a gente percebe que na verdade eu estava guardando tudo aquilo dentro do peito, camada sobre camada, até se tornar uma grande e antiga rocha, com risco de desabar de uma montanha alta.

Há dois anos atrás uma série de acontecimentos fez com que 2014 fosse o pior ano da minha vida, e eu devo tudo isso a uma única pessoa. Infortunamente, hoje sou obrigada a conviver sob o mesmo transporte com essa pessoa. Como diz aquela música "agora eu pago os meus pecados por ter acreditado que só se vive uma vez". A gente não vive só uma vez. A mesma desgraça pode acontecer repetidas vezes, em situações diferentes.

Eu ainda me lembro como era, não é tão díficil quando se tem o gostinho estragado do medo e da insegurança na língua, o sentimento de que nada vai dar certo, de que o melhor a se fazer é silenciar-se e fazer-se de invisível. Como se eu já não estivesse fazendo isso, certo? Errado. Há muito tempo evito fazer amizades, aproximar-me fielmente de alguém. Quem sou eu na fila do pão? Ninguém, até porque eu não estou na fila do pão, estou em casa, estudando, dormindo ou fazendo comida, evitando contato com pessoas de fora, evitando problemas. A gente sabe que isso nunca da certo.

Então passo uma madrugada chorando, em meio a soluços pergunto o que há de errado comigo para minha mãe, dizendo que eu mereço tudo de ruim que acontece comigo, que eu deveria fechar a boca e só aceitar, porque eu sou a ruindade materializada em ser humano. Tudo isso consequencia de 3 horas de viagem que eu faço todos os dias há um ano. O problema das pessoas ruins é que elas não aceitam quando suas vítimas vem tirar satisfação. Quem é que ja fez isso antes? Tudo que sabem fazer é negar. São inocentes. Sinto que preciso alimenta-los e protegê-los, pois não sabem o que fazem, são como bebês na creche, querendo brincar num brinquedo que já está ocupado, mas estão impacientes para esperar por mais tempo.

Preocupa-me somente a mim mesma. Tenho força e fraqueza, geralmente mais fraqueza do que força, pois causa em mim tremedeiras, formigamento nas mãos e pés, nó na garganta, isso quando a pressão não cai, que aí eu sinto como se fosse desmaiar. Em meio a alegrias, as maiores modas são de tragédia na minha vida, e eu sinto que num mundo desses, a única coisa que me resta é ser diferente e acreditar no ser humano, tentar ver por outros lados e entender que as vezes a pessoa não é cruel porque quer, mas sim porque é a única coisa que ela pode ser.

You Might Also Like

0 comentários

Oi!! Deixe seu comentário na caixinha dizendo o que achou do post, do blog ou simplesmente tirando alguma dúvida.
Para avisos sobre memes ou selinhos, comentem na página de selinhos (clique no link "Selinhos" lá em cima), por favor. Se não eu nunca vou responder por pura distração :\
Se quiser fazer uma troca de links, ou seja: parceria, comente na página "Mais blogs". O link está lá em cima, perto do link "Selinhos", vou adorar ter parceria com o seu blog :)
Então, é isso. Obrigada por comentar, volte sempre!

Cadastre-se no blog

SUBSCRIBE

Já me visitaram