amor

Na ponta dos dedos

00:44

"Para!", eu disse com aquele tom de tem gente olhando. Você estava deslizando os dedos, palma/costas da mão pelo meu rosto, como se fosse uma pessoa cega tentando conhecer meus traços. "O que os olhos não veem, o coração não sente", estava escuro, mas eu poderia sentir aquilo mais uma milhão de vezes, e é o que estou fazendo desde o dia em que você tentou consertar as coisas.

Eu posso ficar com você desse jeitinho, tipo, pra sempre? Você dormiu sentado em um banco do transporte escolar, e eu, não tão confortável, mas não querendo pagar de mocinha inquieta, só ajeitei minha cabeça em seu ombro e minhas pernas dobradas em sua perna direita. Onde estavam as minhas mãos? Eu não lembro, mas você estava lá, dormindo o caminho inteiro. Preciso confessar, você parecia um travesseiro em formato de anjo, de tão confortável e confiável que se tornou para mim.

Mas então seu braço, anteriormente sobre minhas pernas, começou a escorregar, empurrando meu vestido e deixando minhas coxas a mostra (que perigo!). Não foi de propósito, você não faria isso (em público), mas foi engraçado, simplesmente porque você estava dorminddo. É automático, não é? Eu empurrei seus braços de maneira grosseira e discreta pra não chamar atenção. Seu safado! Eu te adoro.

Você se importa se eu disser que revivo essa viagem de volta algumas vezes por dia? Espero que não, por que eu faço isso. Poder confiar em você da maneira que eu faço é tão bom que eu chego a perceber que, no final das contas, eu estou confiando em mim mesma. Você seria capaz de gostar de alguém tanto quando gosta de mim? Não consigo imaginar você reconhecendo o rosto de outra pessoa no escuro com a mão, do mesmo jeito que fez em mim. Se isso algum dia acontecer, eu desacredito em toda e qualquer demonstração de afeto entre homem e mulher. 

As vezes fico me olhando no espelho, parada, só eu e meu pijama. Cabelo todo espetado e essa sobrancelha marcada que todo mundo comenta. O que será que você mais gosta em mim? Então me dou ao luxo de um pequeno ensaio para uma peça que nunca acontecerá - as coisas com você correm tão naturalmente - e dou aquele meio sorriso tímido, piscando os olhos: será que é isso? Mas então lembro de outro momento e dou aquele sorriso que mostra os dentes, voltando os olhos para baixo: será que você me prefere assim? São muitas as questões. 

Me pergunto se você me conhece, ou se você, como qualquer outra pessoa apaixonada, não inventou uma versão perfeita de mim na sua cabeça? Eu fico imaginando se seria difícil me tornar essa versão, só para o dia em que você deixe de me querer como quer agora, assim, talvez, eu possa te ter de volta quantas e todas as vezes que precisar.

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1 comentários

  1. Adorei o texto, muito bem escrito e instigante! Amei a imagem usada a cara do texto.

    Parabéns pelo blog!

    http://universos2feminino.blogspot.com.br/

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