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Dilemas universitários

19:01

Créditos
“Se morar é um direito, ocupar é um dever”. Li essa frase em 2014 em um cartaz, no comecinho do ano ao entrar no Cursinho Diferencial (UNESP – Ilha Solteira). Dezenas de estudantes espalhados pelo pátio, vivendo em barracas pela falta de moradia. Segundo informações vindas dos próprios universitários, eles perderam o direito da moradia oferecida pela universidade aos alunos de baixa renda pelo motivo de nota insuficiente, logo, se quisessem continuar estudando, teriam que arranjar alguma república para morar.

Mas então vem a questão... A moradia é oferecida pela universidade, de graça, sem nenhum custo de aluguel, conta de luz ou água. De repente perdem esse direito e todas essas contas passam a ser um problema caso optem pela opção república/alojamento/etc, logo precisam de um emprego, pois como dito anteriormente, essa moradia é destinada a estudantes de baixa renda, sem condições de bancar república ou semelhantes. Mas então, me diz você, tá fácil achar emprego?

Em 2014 provavelmente, mas como está hoje, em 2016, cuja inflação está na casa dos 10,627% (segundo o site globo-rates)? Estamos vivendo uma situação parecida, mas o ponto principal é: não temos se quer a moradia destinada a alunos de baixa renda, nem o emprego, nem condições, nem transporte. O que fazer em uma situação desse tipo?

Agora são 01:54 da madrugada, cheguei da faculdade há poucos minutos depois de uma viagem diária de aproximadamente 130 km, depois de descobrir que vários colegas perderam o direito do transporte vindo da cidade deles, e ver mais uma vez que outros alunos, de Ilha Solteira, precisam sair às pressas durante a aula para andar quadras e quadras, às 11 da noite a fim de alcançar o ônibus da sua cidade em uma rua escura, não asfaltada, cuja segurança deve ser considerada 0. Imagine esses alunos em dias de chuva!

Alunos do IFMS Três Lagoas, que moram em outras cidades enfrentam grandes obstáculos todos os dias, alguns estão tendo que tomar decisões que não dependem deles mesmos. Se encontrar um emprego, tudo bem, senão, tranque a faculdade. Que tal pra você?

O mais irônico é aquela bolsa do programa bolsa permanência (PBP), que oferece R$150,00 por mês ao aluno, funcionando como um incentivo. “Fique na faculdade. Estamos te ajudando”, ajudando no que???? 150 reais paga uma parte do aluguel? Não. Paga a refeição de um mês? Não. Paga as xerox? Talvez. A situação está tão ruim que eu me sinto tão pobre, desamparada, aflita de ter que deixar a faculdade pública por condições financeiras ruins e incentivos tão baixos, tão insignificantes diante todos os problemas que alunos como meus colegas de Pereira Barreto e Ilha Solteira enfrentam todos os dias para conseguir estudar.

Mas qual seria a solução para isso? Cito e repito: se morar é um direito, ocupar é um dever. Ficar quieto, agir como se tudo não fosse apenas uma consequência, um fato de que para crescer, é preciso sofrer? Sim, mas não dessa maneira. Os universitários, futuros profissionais do amanhã, precisam ser incentivados a estudar, praticar o que é visto em sala de aula, correr atrás de projetos, ter a cabeça livre de questões como moradia e emprego. Diploma qualquer pessoa consegue ter, mas um profissional capacitado, poucos conseguem ser.

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