eu

Ato de fuga

14:07


Ela me disse "a noite pode ser uma criança, vamos nos divertir" e me deu a mão. Em uma ciranda, dançamos, giramos até ficarmos tontas, depois de dar muita risada diante aquela situação, eu disse "preciso ir embora, já tá tarde". Esperamos alguns minutos, ela finalmente soltou minha mão e ajeitou sua fantasia, colocamos nossas mascaras de volta e então, ela, em uma esquina, me acompanhou com o olhar enquanto eu fazia meu caminho para casa. 

Se a noite é uma criança, nós devemos ter cuidado. Nos divertimos, mas quem levou a culpa, não foi a noite. "Seu colchão esta na sala", e assim fui castigada. Diante risadinhas e arrependimentos, tirei minha máscara, tentei demonstrar que não me importava, mas o colchão estava desgastado, o lençol era muito fino e a porta da varanda estava aberta. 

Um pouco à direita, com meu corpo inclinado se equilibrando na grade, eu conseguia ver a lua. Porque as melhores noites não planejadas acontecem em noites de lua minguante? Ela poderia ser uma dessas pessoas que eu chamo de cúmplice, ela conhece todos os meus segredos, ela poderia fazer de mim seu fantoche. 

Risadinhas.

Mas lá dentro estava acontecendo um funeral, e eu não poderia deixar de estar presente. Ele me disse "eu gosto de deitar assim", e me fez perceber que o colchão desgastado poderia sim deixar minha coluna dolorida, mas deitar daquele jeito me causaria dor alguns meses depois. Mas ainda assim, eu preferi sentir uma dor imediata que terminasse logo, do que aquela dor silenciosa, traiçoeira, que susurra no seu ouvido "essa não foi a primeira vez" me destruindo aos poucos. Logo o colchão desgastado era minha melhor opção.

Deixei-me levar pelo sono, diante a penumbra da noite, envolvida pelo calor, fazia biquinho. "Me deixa dormir, por favor", mas ele não tirava os olhos de mim. Diante minhas vontades, escondi aqueles olhos em pálpebras, aqueci minhas mãos e dobrei meus joelhos, o sono ainda fazia parte de mim, mas enquanto a lua estava ali, meu corpo não era meu, o que eu fiz, não fui eu. Como uma boneca, fui deixada pelas travessuras de uma criança que ainda estava lá fora, dançando, cantando, e ajeitando sua fantasia. Sua vida parecia mais interessante que a minha.

A noite era uma criança que não tinha horas para estar em casa. Então ela foi má, uma menina muito muito má. Se meteu em problemas. Fez o que queria sem se importar com o futuro, e quando já estava pra amanhecer, eu paguei suas consequências. Tirei minha fantasia, coloquei a minha máscara, e num ato de fuga, dormi. Minha cúmplice seria assassinada, e eu finalmente estaria livre das minhas próprias vontades. 

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1 comentários

  1. Ola laiali, gostaria de pedir que fizesse um review/ eu testei do nose up, eu ficaria muito grata ;)) beijos

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