eu

Será que estou no curso certo?

10:15


Sou uma pessoa de muitos gostos, que já morou em muitos lugares e que formou a própria personalidade aos poucos, tendo em vista o que mais gosto no mundo, ou o que eu aprendi a gostar, mesmo sabendo que não fazia bem. Mas vale ressaltar que ainda estou em construção e em constante mudança de comportamento, humor, vontades. Isso me faz pensar... Será que estou no curso certo?

Ser analista de sistemas é o meu grande sonho de vida? 

A resposta eu tenho na ponta da língua: Não. Nunca imaginei-me em uma sala cheia de homens com no mínimo uns 20 anos a mais do que eu, estudando algoritmo e sistemas de informação. Na verdade, eu não dou a mínima para programação, apesar de imaginar pessoas dizendo "mas é claro que você faria esse curso! Você é a pessoa que mais entende de computador que eu conheço". Dai te digo: você não conhece muitas pessoas que entendem de computador.

Meu professor bem disse essa semana: "A informática não é para todos". Os professores podem ter alunos super dedicados, inteligentes, mas nada disso seria útil se não viesse de dentro, se não tivesse o dom. Eu não tenho o dom. Sim, estou dizendo isso para mim mesma e concordando com a afirmação. Eu. Não. Tenho. O. Dom. 

Não seria cedo demais para dizer isso, afinal? Estou no primeiro período, cursando um curso que não estava nos meus planos, em um Instituto que eu nem sabia que existia, em uma cidade que nem gostaria de estar morando. Mas convenhamos, sinto-me bem melhor aqui do que de onde eu vim.

De onde eu vim, sem generalizar, e sem falar muito para acabar falando o que não deveria, influenciou-me bastante na decisão de vir correndo pra cá, antes que eu tivesse a chance de passar mais um ano lá. Lembro-me de dizer à minha irmã várias vezes com o coração apertado e lágrimas nos olhos, "eu não sei o que seria de mim se passasse mais um ano aqui". Eu praticamente fugi de lá, e o pior é saber que quem destruiu tudo, fui eu. Ninguém além de eu mesma. Talvez eu não tenha me educado forte o suficiente para aguentar o que estava acontecendo. 

Mas é certo que hoje sou mais forte que ontem, e menos do que amanhã. Por que então não dediquei mais um ano ao cursinho, para poder entrar na UFRGS e prestar Jornalismo? Porque ouvi meus pais dizendo muitas vezes para mim "o que nós fazemos, o que nós trabalhamos, o nosso suor, é tudo por vocês, não é por a gente". Acho que é a minha vez de retribuir, eu estou cursando esse curso não por mim, tô cursando pelos meus pais. Ao ponto de vista deles, ser analista de sistema garante mais meu futuro do que ser jornalista.

Eu desejo ser mais egoísta, porque definitivamente, apesar de ter as melhores notas sem precisar me esforçar ou passar madrugadas compilando algoritmos, eu não estou satisfeita, e tenho muito medo de desistir do curso na metade dele. Talvez esse seja um dos meus piores pesadelos: desistir. O outro seria: não fazer o que amo, não amar o que faço. 

O que seriam três anos investidos em algo que não te acelera o coração e arranca sorrisos depois de perceber que mais uma tarefa foi cumprida? É como encher um pote de vidro com nada. Mas eu não sou mais uma garotinha. Eu cresci e logo serão apenas minhas escolhas e eu. Já ouvi a frase "amor não põe mesa", mas o que somos se não temos amor? Eu não amo programar, e não acredito que possa amar com o passar do tempo.

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