natureza

01:38

O ruim de morar em prédio é que mal consigo olhar pro céu. Por culpa minha, não da verticalidade dos edifícios.

Sempre achei mais fácil culpar tudo e todos que estavam a minha volta que entender onde estava o erro nos meus atos. É tão difícil conviver comigo que diversas vezes eu enjoo de mim, acredite.
Sou aquele tipo de menina baixinha, de cabelos curtos e meio desleixada, sabe?!  Gosto de andar com pés descalços, pois acho tão mais fácil pisar no chão. No meu chão. 

Bom, contrapartida passo o dia inteiro fora de casa pra não pisar no chão desse prédio, nesse chão curto quase-vertical que de tão horizontal não tem espaço ou paciência pra olhar o céu.
Hoje decidi usar a "parte comum" desse condomínio e sair pra respirar (sinto que o estresse muitas vezes me consome e eu não consigo controlar, acabo quase-explodindo - o que seria basicamente "bufar" de raiva enquanto sou grossa com alguém - eu não me orgulho nenhum pouco disso). 

Saí, olhei ao meu redor e tava tudo tão calmo. Ainda ouvia os carros passando a 100km/h na BR. Ainda ouvia as famílias preparando o jantar, dando risadas altas ou discutindo. Ainda ouvia minha sanidade dizendo "entra que daqui a pouco vai chover". 

Senti uma brisa leve e quente tocando minha nuca, depois o vento foi aumentando e aumentando ao ponto de me dar um 'baque' tão grande que eu me balancei.

Eu me balancei por tudo que eu já senti e não pude controlar como aquele vento. Eu me balancei por cada pessoa que não sentiu aquele vento, não viu aquelas estrelas e não parou pra pensar que o tempo não para.

A chuva me tocou e eu lembrei de tudo que eu perdi essa semana, e durante na minha vida.
O céu naquele momento era apenas o reflexo dos meus olhos, era amargo o gosto da chuva misturado com o choro. Tinha gosto de culpa. De arrependimento. De tempo perdido.
A natureza veio me dizer essa noite, leve como uma brisa, que eu ainda posso recomeçar.

Eu sei, como eu sei. 
Sendo assim, eu recomecei.



Dedicado à Maggie.

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1 comentários

  1. Esse texto me fez tão bem, Cecília! Você não tem ideia de como me identifiquei, ainda mais nesse trecho "O céu naquele momento era apenas o reflexo dos meus olhos, era amargo o gosto da chuva misturado com o choro. Tinha gosto de culpa. De arrependimento. De tempo perdido.". A sensação ao ler esse texto é indescritível, obrigada por isso! ♥

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